o blog da Vanessa D'Amaro

Vícios são metáforas..!

Outubro 25, 2009 · 2 Comentários

O som da água bulindo me atormenta. O cheiro que inunda a casa me arrepia. A água fervente toca o pó. Minhas papilas gustativas deliram. Meu ouvido diz não. A cafeteira… Frustro-me. Há quase um ano eu parei de consumir cafeína. Há mais de um mês eu ando trapaceando.

Uma pessoa se descobre viciada em cafeína quando um expresso parece ser a solução milagrosa para todos os problemas. Coffee-Posters Cansado? Café. Com sono? Café. Feliz? Café. Labirintite? Café. Ai. Café. Café. Café. Eu comecei cedo. Com 14 anos. Mas parei. Eliminei os efeitos e as conseqüências da intoxicação. Tentei ser uma pessoa melhor. E fui. Até que me apresentaram o descafeinado. Perigo. Perigo. Perigo.

Café descafeinado é o melhor faz de conta da vida moderna. Para um viciado em cafeína, no entanto, ele é o início da perdição. Falta algo e a busca pela completude só termina quando o vazio é preenchido por um capuccino caprichado. Você se culpa, mas jura que foi só uma vez. Quando acontece de novo, você encontra maneiras de fazer a culpa diminuir. Eu descobri, por exemplo, que, se eu tomar café enquanto faço alguma outra coisa, eu não sinto que eu trapaceei. Só me dei conta que essa podia ser uma má ideia quando eu me peguei limpando o volante depois de uma freada brusca no trânsito. Crise de abstinência. Sai do carro e fiquei feliz ao descobrir que uma gota de café tinha sobrado no meu pulso. A felicidade durou pouco. Eu não tinha açúcar.

O problema dos vícios é que eles são metafóricos. Eu sei que eu não preciso de cafeína para viver, mas eu sinto falta da excitação, do estado de alerta, da velocidade do pensamento e da eliminação do sono. Não importa o quão escuro os meus dentes fiquem ou o quanto cresça o buraco no meu estômago. Eu quero tudo isso de volta. E eu sofro. Faço-me de vítima. Culpo-me. E volto para ela. Porque eu vivo linguisticamente e a minha narrativa perde sentido sem as metáforas. Meu vício é minha metáfora.

Há mais de um mês eu ando trapaceando. Há uma semana eu tento ter disciplina. Minha vida não precisa de cafeína. Ela precisa de novas figuras de linguagem.

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As intelectuais vão à ginástica

Setembro 28, 2009 · 5 Comentários

Por Vanessa D’Amaro C. das Neves*

Como qualquer grupo estereotípico, as intelectuais são extremamente mal pré conceituadas. Sorrateiramente, essas moças estão sempre tentando do fugir do senso comum e dos estigmas impostos a elas pelas mentes não-criativas. Nem sempre elas têm sucesso.

A verdade é que as intelectuais têm todas as formas, tamanhos, cores e tipos de cabelo. Elas também não se restringem a um único tipo de lentes corretivas. Elas podem ser míopes, hipermetropes ou astigmáticas. Elas podem usar lentes gelatinosas, lentes de policarbonato ou lentes de acrílico. Suas armações podem ser de acetato ou até de aço inoxidável. Algumas se vestem de maneira comportada. Outras não. Algumas usam saltos baixos. Outras adoram ganhar 10 centímetros de altura. Elas são diferentes e heterogêneas. Elas são muito inteligentes.

As intelectuais contrariam as mentes não criativas e não se encontram somente nas bibliotecas da Cidade Universitária, no Espaço Unibanco, no HSBC Belas Artes ou nas exposições de arte contemporânea no Ibirapuera. Essas moças, munidas de intelecto admirável, freqüentam todos os cantos da cidade de São Paulo. Elas estão na Avenida São João, na Linha Vermelha do Metrô, no Parque da Independência, nas baladas da Vila Olímpia e até no Pacaembu. Algumas, inclusive, freqüentam o Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo. Elas vão à ginástica.

A ginástica não é o habitat natural de muitas intelectuais. Uma minoria delas consegue ter um invejável sucesso, dividindo seu tempo entre as leituras de Adorno e às aulas de Step. Outras não são tão bem sucedidas. É por isso que no início de toda aula de ginástica um observador atento percebe a concentração e o desconforto de algumas dessas moças durante o aquecimento inicial.

Inspira. Muuuummmhhhhh. Expira. Ahhhhnnnn. Ombros para cima. Ombros para baixo. Soltando o pescoço. Palma para um lado. Chute para outro. Mais rápido. 5, 6, 7, 8… vai… Agora puxando com os braços. Coordena o braço com a perna. MAIS RÁPIDO! Concentração. Foco. Braço para um lado. Chute para outro. Ah, eu devia estar na biblioteca. Inspira. Muuuuummmmhhh. Expira. Ahhhhnnn. Podem subir no step. Passo básico. Até agora está fácil. 5, 6, 7, 8…. e, 1, 2, 3, 4….

É assim que as intelectuais começam a aula de ginástica. Desejando ter ficado na biblioteca, mas perfeitamente conscientes que não queriam estar em outro lugar. As intelectuais são inteligentes e sabem que uma boa aula de aeróbica faz bem para o corpo e para mente. O “5, 6, 7, 8…” é um componente fundamental da rotina semanal. Por isso, elas não se importam de deixar a leitura de Nieztsche ou as aulas de estatísticas de lado.

Agora chuta. Faltam só oito. 8,7, 6, 5, 4…. E as intelectuais formam uma coreografia matematicamente perfeita com direito a trilha sonora dançante. Com força. As pisadas se transformam numa marcada percussão. Os tênis esportivos são como baterias em febre. As intelectuais estão em profunda concentração. Elas já começam a sentir os corações acelerando. O sangue quente começa a fluir pelas artérias e as veias se movimentam mais rápido do que um cometa. Tum. Tum. Tum. Tum. Acelera… VAI!!!

Inspira. Muuuuummmmhhhhh. Expira. Ahhhhhhnnnnnn.

E o passo complica. Agora além de chutar, bater palmas e fazer o joelho triplo, as intelectuais têm que mudar o lado do step. A concentração e o foco são imprescindíveis. A intelectual desatenta pode errar bruscamente a pisada e atrapalhar toda a coreografia matematicamente perfeita construída pela professora-deusa. Não se pode pensar Foucault nesse momento. Esqueça o filme do Fellini. Esqueça as aulas de cálculo numérico. Foco. Concentração.

5, 6, 7, 8…. VAI!!!!! Direita. Esquerda. Chutou. Palmas. Joelho Triplo. E, 1, 2, 3, 4… Vergonha. Fracasso. Decepção. Algumas intelectuais erraram o passo e elas sabem o porquê. O corpo está ali presente, mas a mente está na aula de Teoria da Comunicação ou no trabalho História Medieval que deve ser entregue na segunda-feira. As intelectuais destruíram a coreografia matematicamente perfeita da professora-deusa. Elas abaixam os olhos. Vergonha. Foco. Concentração.

Inspira. Muuuuummmmhhhhh. Expira. Ahhhhhhnnnnnn.

1, 2, 3 e… UUUUUUU-HUUUUUU!!! O passo foi acertado. As intelectuais descoordenadas voltaram para a coreografia matematicamente perfeita. Elas levantam os olhos e contém o sorriso maroto de vitória. 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1…. e 1, 2, 3… Passo básico. Chuta. Esquerda. Direita. Joelho Triplo. Passo básico em L. Viradinha. Escorrega. 1, 2, 3, 4… e… DIREITA. VAAAAAI! Esquerda. Chuta. Joelho Triplo. Passo básico em L. VAAAAAI! O sangue quente flui ainda mais rápido. O intervalo dos batimentos encurta. TUM-TUMTUM-TUM-TUMTUM. A corrente sanguínea é um cometa dentro das artérias. As veias já esguicham sangue. Os músculos tremem. Os joelhos doem. Os braços dormem. O suor escorre pela espinha. E a corrente sanguínea não páraaaaaa…. Dor. Exaustão. Arrependimento. Biblioteca. Cinema. Godard. Francês. Lingüística. Quinta de manhã. O sangue esquenta. A corrente sanguínea é um meTeORO!!!! AAAAAAAAAHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!

Inspira. MUUUNHH. Expira. AHHHNN. Inspira. MUUUNHH. Expira. AHHHNN. Inspira. MUUUNHH. Expira. AHHHNN. Tum. Tum-tum. Tum. Tum-tum. MUUUNHH. AHHHNN.

Endorfina. ENDOrfina. ENDORFINAAAAAA!!!!!!

Eu amo a aula de STEP! 8, 7, 6, 5, 4… Passo Básico. Força. Chuta. Coragem. Mais forte. VAAAAAAaaaI! Direita. Esquerda. Viradinha. Passo básico em L. Joelho Triplo. Escorrega. E 1, 2, 3, 4… Faltam 12. Nãaaao! O sangue esquenta. Eu quero mais. Corrente sanguínea ainda é um meteoro. 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1… Nãaao! Eu tenho TODA a energia! Desacelera! Não Pára! Eu consigo. Foco. Concentração. Nãaao! Respira. Muuuuummmmhhhhh. Inspira. Ahhhhhhnnnnnn. Desce do step. Água. Água. Água. Água.

Contando os batimementos. Tum. Tum-tum. Tum. Tum-tum. Água. Água-água. Água. Água-água. Água. Água-água. Parou.

Inspira. Muuuuummmmhhhhh. Solte o ar. Ahhhhhhnnnnnn. Ombro para cima. Ombro para baixo. Solte o ar. Virando o pescoço. Solto o tronco. Lá embaixo. Levanta. É isso, meninas. Boa semana.

E as intelectuais, ruborizadas pela aceleração meteórica da pressão sanguínea, procuram a garrafa d’água. Seiscentos mililitros depois, elas encontram o caminho de casa. Ainda sob efeito da endorfina, elas sorriem com as dores musculares e se questionam se à noite devem ler Guimarães para a prova de sexta ou se será mais prazeroso alugar um filme do Truffaut… Partem. As intelectuais já foram à ginástica.

* A ideia para esse texto surgiu pouco antes da liberação da Endorfina e me custou diversos erros na coreografia matematicamente perfeita da professora-deusa. Tento me redimir com a homenagem.

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E se a blogosfera fosse uma confeitaria..?

Setembro 19, 2009 · 6 Comentários

(Singela homenagem aos meus leitores e blogueiros mais queridos – baseado em conversa com Talita Abrantes – http://maisquelinguagem.wordpress.com/)

Confeitaria

Se a blogosfera fosse uma confeitaria, a minha amiga Talita Abrantes seria a moça dos ingredientes. Ela seria responsável pela escolha de cada elemento das composições de massas de tortas e bolos. Através de cuidadosos estudos químicos, Talita chegaria à combinação perfeita de cor, sabor e odor. Os apreciadores de boas tortas seriam incapazes de entender como massas tão elaboradas poderiam parecer tão leves e tão atingíveis.

Se a blogosfera fosse uma confeitaria, a minha amiga Laura Catta Preta seria a moça das tortas geladas. Ela cuidaria dos sorvetes e acrescentaria toques pessoais a cada um dos sabores. Ela trabalharia ao som da mais elaborada trilha sonora e seria responsável pela descolada harmonia das cores dos gelati expostos na porta da loja de doces.

Se a blogosfera fosse uma confeitaria, o meu amigo Gustavo Fattori seria responsável pelas sobremesas francesas, entre elas: tortas, pavês e mousses. Gustavo estaria atento a cada forma, a cada sabor, a cada relevo que os cremes intencionalmente tomariam no prato de sobremesa. Suas sobremesas seriam criações extremamente pessoais.

Se a blogosfera fosse uma confeitaria, o meu amigo Danilo Regi seria responsável pela compra de todo e qualquer chocolate. Ele testaria e saborearia chocolates o dia todo e enviaria relatórios extensos a todos os outros confeiteiros explicando prós e contras de cada tipo de chocolate para a elaboração de cada tipo de doce. Ninguém inventaria uma nova sobremesa sem antes lhe consultar.

Se a blogosfera fosse uma confeitaria, qual seria a função desse blog? Bom, essa autora seria a moça do chantilly. Com um sorriso no rosto e uma lata industrializada da marca mais barata do mercado na mão, ela ofereceria generosas porções de cremes brancos como acompanhamento para qualquer um dos doces dos confeiteiros. Uma atividade não tão nobre, não tão quimicamente honrável, não tão harmoniosamente colorida, não tão estatisticamente perfeita e nem tão cuidadosamente elaborada. Mas quem se importa? É chantilly!!!

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As 27 coisas que eu (secretamente) amo sobre a arte de dirigir automóveis..!

Setembro 11, 2009 · 4 Comentários

1. Dominar a arte de parar na ladeira e se orgulhar de ser uma das poucas pessoas que conseguem segurar o carro em situações de perigo;

2. A sensação de completude que só uma baliza perfeita consegue provocar;

3. Exercitar o diafragma gritando “Freeedom” quando o refrão de “Think”, da Aretha Franklin, toca na rádio;

4. Achar que a embreagem é a coisa mais divertida que um ser humano já inventou;

5. Não precisar se justificar por suas reações primitivas quando alguém lhe dá uma fechada;

6. Dizer que carros automáticos são entediantes;

7. Saber exatamente quais os radares que estão desativados no trajeto Zona Sul-Zona Oeste;

8. Dar a desculpa que o seu velocímetro não é 100% confiável quando estiver acima do limite de velocidade;
auto-estrada

9. Desenvolver reflexos equivalentes aos de um jogador de vôlei;

10. Obrigar passageiros a ouvirem às suas longas reflexões filosóficas, enquanto você gentilmente lhes dá carona;

11. Colocar seis pessoas em um Ford Ka;

12. Fazer amizade com o frentista do posto de gasolina e achar que, por isso, fica embaraçoso dar gorjeta para ele enquanto ele calibra o seu pneu;

13. Dizer orgulhosa que nunca recebeu uma multa em 4 anos de habilitação;

14. Rir histéricamente quando o motorista ao lado te xinga, mas você não consegue escutar por causa da música alta;

15. Pensar em mil e uma maneiras de se vingar do caminhoneiro que pisca para você no farol;

16. Tentar explicar para o menino de 10 anos, vendedor de balas no farol, que ele não é uma “mãe de família” como diz o bilhetinho;

17. Sorrir para todos os vendedores que distribuem bilhetinhos que dizem um sorriso vale mais do que qualquer ajuda em dinheiro. Descobrir, em seguida, que é tudo mentira;

18. Tentar dançar ao som de “Play That Funky Music”, enquanto atravessa uma avenida;

19. Nunca conseguir ser boa motorista no trajeto até o Shopping Ibirapuera;

20. Se sentir realmente culpada por não respeitar faróis de pedestres;

21. Ser a motorista bacana que passa devagar em poças de água para não molhar o pedestre;

22. Dirigir mil vezes pior quando tem mais alguém no carro;

23. Rir por educação quando aquele tio bacana faz aquela velha piada: “Me avisa quando você sair de casa dirigindo porque, nesse dia, eu vou trabalhar de ônibus!”;

24. Perceber que chorar na direção é extremamente terapêutico;
Carro

25. Sentir arrepios quando você consegue finalmente engatar a quinta naqueles poucos 2 quilômetros entre o engarrafamento e o radar;

26. Saber que todas as barbeiragens que você fizer quando um primo estiver no banco do passageiro serão anunciadas e amplamente discutidas em todas as festas de família;

27. Encorajar novos motoristas fazendo paródias toscas (e instrutivas) de Ciranda Cirandinha;

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A espinha do amadurecimento

Agosto 27, 2009 · 4 Comentários

Todo ano entre junho e agosto ela estoura na minha bochecha direita. Ela vem sorrateiramente, se instala, cresce e permanece ali por semanas e semanas até que eu desista de me importar. E ela desaparece. Mais repentinamente do que quando surgiu. Eu não sinto a sua falta.

Nesse ano, no entanto, foi diferente. Ela apareceu de novo. E eu decidi não me importar. Decidi aceitar a poesia e entender que ela vem para trazer mudanças. Aceitei aquele relevo indesejado no meu rosto. Respirei fundo. Aguardei.

Qual seria a grande mudança desse inverno?

E ela me presenteou. COM UM ENORME FIO DE CABELO BRANCO! Branquíssimo. Longuíssimo! Eu tentei negar: disse para mim mesma que era só um fio descolorido. Mas não… Ele era branco. Longuíssimo!

Quando me dei conta, a pinça estava na minha mão e o fio de cabelo se esparramava pela pia.

Maldita espinha do amadurecimento!

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As 40 coisas que eu descobri na Itália..!

Agosto 20, 2009 · 4 Comentários

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1. Cruzar o Atlântico de avião, em agosto, é mais desconfortável do que andar de jegue.

2. Até um hambúrguer do McDonalds parece glamoroso na Galeria Vittorio Emanuelle.

3. Se um tersol começar a aparecer no seu olho direito durante a sua estadia em Veneza, ria do universo. Não tem nada que ele possa tramar que estrague a bellissima città. (Não se assuste quando 12 horas depois o tersol desaparecer miraculosamente).

4. Se um grupo de pessoas parecem italianos, falam como se fossem italianos, mas, por alguma razão, tudo que eles falam soa grego para você… é porque eles realmente estão falando grego. Parabéns, você acaba de conhecer alguns habitantes dos Balcãs!!!

5. A Itália em agosto é uma versão moderna da Torre de Babel. Você ouve línguas que nunca pensou existir.

6. Sandália ortopédica é uma solução inteligentíssima para o verão na Itália. Elas funcionam em quase todos os lugares. Não em Roma. Não exija demais delas.

Itália Coliseu

7. A Itália é uma excelente experiência lingüística. Aprofunda-se o italiano e o portuñol. Dá até pra arriscar uma língua nova: o italianol.

8. “Buenos dias! Il maglione, lo metto in una busta. Voilà! Obrigado!”. Todo mundo é poliglota na Itália.

9. Tem sempre um brasileiro no metrô de Milão. Sempre.

10. Eu não tenho absolutamente nenhum problema com barcos, lanchas, vaporettos ou gôndolas. Eu até me sinto muito confortável dentro de embarcações. Eu seria uma excelente marinheira. Ou uma excelente pirata.

11. Milão é uma cidade tão preocupada com design que não faz combinações estranhas de cores nem nas estações do metrô. Desceu na linha amarela e quer pegar a linha vermelha? Você não vai achar nenhuma placa vermelha. Memorize os números das linhas porque nessa cidade não se estraga a plataforma da linha amarela com avisos em cores destoantes.

12. É necessário muito senso de direção para andar nas ruas e becos de Veneza. Nenhum GPS pode te ajudar nesses momentos de tensão.

13. Aproveite os momentos clichês. Sorria quando uma loja em Veneza coloca “La solitudine” da Laura Pausini em volume alto às 9h da manhã.

14. “Turistas vêm de manicômios”, diz Rafaelle, o motorista italiano de ônibus turísticos.

15. Viajar de ônibus pela Toscana proporciona uma sensação de paz indescritível. Não se culpe por não conseguir ficar acordada durante o trajeto.

16. Ninguém paga ônibus na Itália.

17. Eu quero uma gôndola.

Fontana di Trevi
18. A Fontana di Trevi aceita moedas em real.

19. Italianos precisam conhecer pizzas paulistanas e talheres.

20. Quando se cobra para usar o banheiro, ele deve estar, no mínimo, limpo.

21. Viajar pela Toscana e pela Úmbria ao som de “Incancellabile” da Laura Pausini é muito brega.

22. Agradeça aos aquedutos romanos pelos bebedouros públicos.

23. Deus, com certeza, esteve em Assis.

24. Uma tarde em Siena é mais benéfica do que uma aula de Step.

25. O teto da Capela Sistina seria muito mais emocionante sem turistas desesperados tirando fotos e guardinhas desesperados pedindo para ninguém fazer isso.

26. Falar italiano tem suas vantagens. Você pode ganhar coisas de graça.
Lago Garda
27. Eu quero viver perto do mar. Ou perto de um lago.

28. Italianos não têm obrigação de ser gentis e amáveis com turistas. Eles fazem questão de deixar isso bem claro.

29. Pausas dramáticas ficam extremamente engraçadas em guias turísticos.

30. Você acha que conheceu a exaustão quando considera não descer na sua estação de metrô por falta de força física.

31. Ferragosto é um feriado muito sério.

32. Faz cerca de 30º Celsius no Sul dos Alpes no verão.

33. Pessoas extremamente gentis e educadas falando em italiano? É possível! Na Suíça!

34. “Uma pessoa pode morrer de exaustão?”. Agora sim. Você conheceu a exaustão.

35. Nhoque com mariscos é chiquérrimo e estranhíssimo.

36. Trens são fantásticos.

pombos em Milão

37. Em Milão, as pessoas acham que tocar em pombos é uma coisa muito divertida. Aparentemente, ninguém foi informado sobre a toxoplasmose.

38. Algumas pessoas não sabem que Romeu e Giulieta não existiram de verdade.

39. O Coliseu é um excelente lugar para manifestações políticas.

40. Reze todos os dias pela alma do criador do desodorante. Ele fez a vida ficar muito mais suportável.

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Amizade Super Sincera

Agosto 20, 2009 · 1 Comentário

“A gente deveria conversar por skype e largar o Messenger. Por que a gente não usa o Skype?”
“É uma idéia, mas… O que a gente faz quando vier aquele silêncio constrangedor?”





(Digitando)

“Verdade… Melhor continuarmos aqui mesmo…”

→ 1 ComentárioCategorias: amizade

Sobre..!

Agosto 19, 2009 · Deixe um comentário

blog copyTextos explicativos sobre criação de blogs são extremamente sem graça.

Feita a crítica, explico que criei esse espaço para exercer meu lado jornalista formanda e gastar a minha cota exagerada de palavras diárias! Viva a prolixidade!

→ Deixe um ComentárioCategorias: boas vindas

“Ci vuole poco per sentirsi più vicini”

Agosto 3, 2009 · Deixe um comentário

Nino Buonocore nasceu em Nápoles, no dia 26 de julho de 1958. Foi contratado pela RCA Italia em 1979. Participou pela primeira vez do Festival San Remo em 1983. Em 1990, lançou “Scrivimi”.

Voltando para casa numa tarde, em 2007, ele me emocionou com essa música. Renato Russo e Laura Pausini também se emocionaram.

Achei apropriado compartilhá-la por aqui.

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Não repare a bagunça!

Maio 26, 2009 · Deixe um comentário

Ela abriu a porta do seu escritório.

- Pode entrar, só não repare a bagunça! –disse.

Entrei, e me fixei perto da porta. Ela se dirigia à mesa de estudo, que ficava a menos de um metro de onde eu estava. Deu o primeiro passo em linha reta, logo em seguida virou um pouco para a esquerda, desviando da enorme caixa de papelão que estava a sua frente. A sandália surrada que usava parecia conhecer o caminho de cor. Sem hesitar pulou para a direita, desviando da enorme pilha de livros. Mais uma pilha de livros também à direita (essa batia na altura do joelho), e mais um rápido desvio. Até que a jornada a mesinha teve um final feliz.

Fitei, então, a mesinha. Inúmeros papéis de bala jogados formavam uma moldura em volta do caderno de anotações, do teclado do computador e até mesmo dos documentos empilhados. Um relógio velho que provavelmente não funcionava mais. Uma borracha já bastante usada. Várias canetas. Alguns lápis. Clipes. Cds. Disquetes. Vi também uma escova de cabelo. Os inúmeros fios presos nos dentes da escova denunciavam que o cabelo fora bastante escovado, bastante penteado. (Curioso! Não era o que aparentava).  

- Mas não está aqui! Onde pode estar? – disse e olhou para mim.

Fiz cara de desentendimento.

Ela se dirigiu ao armário. Eu já estava amedrontada, mas ansiosa, a curiosidade era grande. Ela abriu o armário. Rapidamente colocou o braço sobre os livros que ameaçaram cair. Pela rapidez do movimento, conclui que não era a primeira vez que tal manobra era executada.

O armário seguia os mesmos padrões da mesinha. Livros, e mais livros. Papéis, muitos papéis. Mais documentos, canetas. Ela, então, ameaçou abrir a outra porta do armário. Decidi fechar os olhos, eu não queria mais julgar sua forma de organização. Fechei. E meu olho direito, deu uma espiada no ambiente. Abri os olhos. Numa fração de segundos imaginei o que viria por de trás daquela porta do armário.

Ela abriu a porta do armário, e mais livros empilhados, mais documentos, até mesmo um agasalho de lã estava ali. Foi quando eu vi! A sandália surrada daria um passo para trás e derrubaria toda a outra pilha de livros que ficava na frente da porta do armário! No impulso, quase gritei: “Cuidado! Você vai derrubar os livros!”.

Não o fiz. Não por falta de educação ou delicadeza, mas porque achava que a minha interrupção não faria diferença. Além disso, fiquei muito interessada no que aconteceria caso a sandália surrada derrubasse a pilha de livros…

E a sandália surrada derrubou a pilha de livros. Ela nem olhou para trás. Tinha achado o meu papel perdido. Com um sorriso de satisfação, veio entregá-lo a mim. Pulou mais uma caixa de papelão. Desviou dos livros derrubados, sem olhá-los, eles agora faziam parte da decoração. Desviou de uma pilha de livros à direita, desviou novamente. Desviou de mais uma pilha de livros, dessa vez à esquerda. E entregou-lhe em minhas mãos. Eu agradeci e me retirei…

“Não repare a bagunça” ela me disse.

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